Terça-feira, 16 de Janeiro de 2007
...

Carta aberta ao “Filho Pródigo”:

Começo por agradecer a visita ao meu Blog,

Formula-me um pedido: abranger também a postura regional e local.

Respeitando o meu pseudónimo, mas também honrando o princípio pelo qual o escolhi,

Revelo-lhe um pouco do pedaço de Reino Maravilhoso onde vivo.

Pertenço à Classe dos PHT ( Pobres mas Honestos Transmontanos), tribo que vive algures no norte de uma tal península à beira mar plantada, desconhecida ainda pelo  Nathional Geografic, como estando em vias de extinção, mas muito perto disso.

É um povo que, por força da Globalização se subdividiu e se dispersa do seguinte modo:

 

- ADR : Autóctones Definitivamente Residentes. ( + de 50 anos)

- ARPE : Autóctones Residentes Por Enquanto. ( + de 30 anos)

- AVNV : Autóctones Vai não Vai. ( + de 18 anos)

- ATDR : Autóctones Tirem-me Daqui Rápido. ( + de 1 ano)

- AQNI : Autóctones Que Não Interessam. ( Idade Indefinida)

 

Existe depois uma outra derivação, que embora não pertençendo a esta Árvore genealógica, assume bastante importância nesta Sociedade Tribal:

 

- VLF : Vou Lá de Férias. ( De todas as idades)

- VNVC : Vou, mas Não Volto Cá. ( Idade, cor e credo indefinidos)

- P 4x4 : Políticos que cá aparecem de 4 em quatro anos. ( Impossível quantificar ou qualificar).

É um pouco difícil de os distinguir, dado serem muito semelhantes entre si, sendo possível, às vezes distinguir algumas destas etnias, pelo nariz ( mais empinado) e pelo umbigo( que embora se não veja, nota-se ser invulgarmente proeminente)

 

É um ambiente serrano, às vezes invulgarmente sereno.

Por enquanto, estou situado, nos ARPE.

Entre o Sol bem quentinho dos verões que graças a Deus vão aparecendo, existem também Invernos que, entre chuva que enchiam dois Alquevas, há nevoeiro que nem D. Sebastião se atreveria a furar, quanto mais OTAS ou TGV’s. Bem basta quando o vento sopra de Sul e ainda se ouve o comboio a apitar, lá para baixo, no Ribeiro Grande que corre para o Mar.

Quando neva, doce melodia branca, que nos faz sentir num reino que é só nosso, de paz e, silêncio, só quebrado por um qualquer avião que passa sem pedir licença ou pagar portagem, ou um qualquer pássaro que teima em divertir-se também.

Dirigindo-me agora, particularmente a si, penso não ser adequado o pseudónimo que escolheu, pelo que me pareceu ver no seu texto. Pelo menos face ao transcrito pela Bíblia. Quase que me atreveria a abrir um “novo galho” na tal árvore genealógica e a classificá-lo como:

 - ATA : Autóctone Temporariamente Afastado.

O Futuro o dirá!

Os meus cumprimentos.

Nota:

Enquanto preparava este texto, reparei haver um novo Post, mas mais virado para o Jet Set, que esse sim vai de vento em popa, recomenda-se e vai gozando.

Sem ainda ter analisado o conteúdo, porque o vi por alto, repare que neste País se dá valor ao supérfulo, trivial e bonacheirão, à mediocridade!

Analise quem tem sido as estrelas da Televisão que temos, nos últimos tempos!

Comece pelo pobre do Zé Maria, Zé Cabra e por aí fora.

Fica o resto para novo Post dedicado ao tema.



publicado por oserrano às 16:21
link do post | comentar | favorito

1 comentário:
De Filho Pródigo a 17 de Janeiro de 2007 às 16:34
Caro Serrano,
Felicito-o pela brilhante prosa sobre o PHT, o tal Povo tantas vezes esquecido e só lembrado quando se tem conveniência eleitoral!!
Permita-me apenas acrescentar apenas mais uma categoria ao segmento das derivadas: o APT (O Autóctone Paraquedista Transmontanto, que corresponde aos que não tendo qualquer ligação à terra, ali caiem de paraquedas e se aproveitam da boa-fé e da hospitalidade que é apanágio dos transmontantos.
A descrição notável que faz nesta carta-aberta mais justifica o desejo que lhe transmiti de ver este "blog" como um espaço de comentário sobre matérias regionais, para além das nacionais, naturalmente. Uma descrição só possível de atribuir a um Verdadeiro Transmontanto, que sente a sua Terra de forma intensa!
Por isso, embora se inclua no ARPE, penso que facilmente se enquadrará na categoria ADR.
Quanto ao meu pseudónimo- Filho Pródigo- por ora apenas lhe digo que foi escolhido especificamente para partilhar as minhas reflexões neste seu "blog", já que é meu hábito diversificar os pseudónimos noutros espaços cibernáuticos em que participo.
Por último, lhe digo, que andou perto ao atribuir-me a categoria "ATA". Quase acertou! Preferia considerar-me como um AFASP- Autóctone Fisicamente Ausente mas Sempre Presente!
Força no "blog"!


Comentar post

mais sobre mim
pesquisar
 
Fevereiro 2007
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3

4
5
6
7
8
9
10

11
12
13
14
15
16
17

18
19
20
21
22
23
24

25
26
27
28


posts recentes

...

A Serra da Azinheira

Muito sofre quem é pobre

Cães de raça Portugueses ...

...

Quo Vadis, meu País!

É bom sermos quem somos.

Hipocrisia sem Fronteiras

Pois que seja NATAL

Carro da marca OPEL...NÃO...

arquivos

Fevereiro 2007

Janeiro 2007

Dezembro 2006

Fazer olhinhos
blogs SAPO
subscrever feeds